domingo, 20 de janeiro de 2013

Minha família

Saudade é uma coisa tão dolorida e difícil de explicar. Eu ando com saudade de não sei quê. E com um apertinho no coração e sei exatamente o motivo. Minha família é muito grande e longeva. E sempre, em qualquer aniversário, dia das mães, dos pais, natal, ano novo ou qual fosse o motivo, todo mundo se reunia na casa de alguém para comemorar alguma coisa. Era um presentinho, uma lembrancinha, um agradinho, ou mesmo um carinho de uma tia, um primo, da vovó, de todo mundo junto. Não importava o motivo, tudo era razão suficiente para celebrar a existência de uma família tão grande e bonita. Só que à medida em que fomos crescendo, esse sentimento de união foi se perdendo. Um pouco de inveja aqui, um pouco de amargor ali, um trabalho muito exigente acolá, foi fazendo com que o tempo em que não passávamos juntos, fosse mais interessante que os poucos momentos que passamos a dedicar à família. Quando digo família é vovô, vovó, tios, tias, primos, papai, mamãe e irmãos. Mais que isso, pelo menos na minha família seria um exagero, ou um casamento. Só nossa família já era um número quase sem fim. Um se mudou de cidade, outro de bairro e eu mudei de país. Cada um para o seu lado, conectados eventualmente pela internet ou alguma remota ligação telefônica. Até que ocorreu uma tragédia na família: minha prima Isabela que usa lentes de contato, perdeu sua bebê de 1 mês e meio à raiz de um problema no coração que nunca soube bem o que era. Podia ter sido evitado durante a gravidez, mas Deus sabe o motivo de tanto sofrimento. Hoje minha família se uniu aos pés dessa minha prima para chorar e dar forças a uma família dilacerada pelas mancadas que a vida pode nos dar. A qualquer um de nós.

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